quarta-feira, 2 de setembro de 2009

vontade de chorar...

O dia de Hoje (noite 2)

Ela vem bem devagar.
vai se alojando em mim.
tomando posse.
e se mistura de tal forma que ela já é eu e vice e versa.
Vou me acostumando a ela de novo.
Vendo o mundo por seus olhos.
Olhando o chão.
No peito, a dor.

O dia de Hoje (noite 1)

E eles ainda estão em mim.
Meus fantasmas e meus grilos...
(criados, alimentados à pão de ló)
Convivem em mim
como meus que são
Qual o coletivo de grilo, meu Deus?
Enxame?
Alcatéia não é, que eu sei.
Mas até poderia ser, tal a ferocidade com que me devoram.
Sei que esse bolo todo
(insetos asquerosos)
esse bolo todo que sinto no estômago, e na garganta.
Isso são eles.
Todos eles juntos.
E enquanto mastigo o pão de cada dia, um deles,
(inseto desprezível)
tenta fugir, escorrer-se pela minha saliva.
Sinto-o na boca.
O bicho é grande e dificulta a mastigação.

O dia de Hoje (tarde)

Tô sentindo um vazio...
As coisas vão se acertando
O espírito vai se acalmando
Mas tô sentindo um vazio...

Tô me guardando
me prevenindo
me observando
me restringindo

E tô sentindo um vazio...

Estranho acordar de repente e se sentir devedor de si mesmo

né?

O dia de Hoje (manhã)

Pesadelo

Você vindo feliz, acenando em minha direção
Um trem vindo de lado furioso
Escolho que você saberá o que fazer
Você não vê e o trem te joga longe
Gritos.
Coração acelerado.
Procuro seu corpo tateando na escuridão

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eu chego já...





Tô comendo esperança no café da manhã e tomando em doses pequenas durante todo o dia
Passando um pouco na pele pra ver se começa a fazer parte de mim
pingando em gotas na língua pra ver se acostumo com seu gosto bom
Me lavando com ela
Me servindo dela na mesa de jantar

...

Que meu corpo não a rejeite mais uma vez